Brasão

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O Brasão de Armas do Município de Camanducaia compõem-se de um escudo de formato “samnítico”, em esmalte blau (azul), com o chefe em metal prata, carregado de um escudete também de formato “samnítico”, em esmalte blau (azul, no qual se figura uma flor-de-lis a sobrepujar um crescente com as pontas voltadas para cima, ambos em metal prata.

Na parte inferior do campo de blau (azul) do escudo, o traço de cortado do contra chefe diminuto, em esmalte sable (preto) representa um campo estilizado, posto em chamas, em toda a extensão longitudinal do escudo, e em sua cor, cujas labaredas, muito altas, chegam quase a atingir a parte inferior de dois outros escudete, também de formato “samnítico” do mesmo tamanho que o primeiro, representado no chefe, e dispostos equidistantemente em faixa, um à destra, e outro, à sinistra.

 Na ponta do escudo, ocupando uma porção correspondente ao contra chefe diminuto, em esmalte sinopla (verde) é representada uma faixa estreita, sinuosa, em metal prata e ondada de blau (azul) com timbre do escudo, tocando-o, é figurada uma coroa mural, de cinco torres visíveis, em metal prata, com portões e janelas de sable (preto), privativa de cidade (não capital).

 Como suportes: à destra, um ramo de milho, espigado; e à sinistra, um ramo florido de batata, ambos em sua cor, os quais se cruzam em aspa sob o escudo.

 Num listel de blau (azul), com as pontas dobradas e terminadas em flâmula, brocante sobre os pés entrelaçados dos dois suportes, é gravado, em toda a sua extensão, o topônimo CAMANDUCAIA, em caracteres maiúsculos do tipo “Franklin Gothic”, e em metal prata. Na ponta em flâmula, à destra, é gravada a abreviatura cronológica “3-5-1842 e na ponta, à sinistra, outra abreviatura cronológica “31-3-1892””.

 Simbologia

Adotou-se o escudo de formato “samnítico” (também chamado francês moderno) – por ser o que mais se adapta às peças honoríficas, permitindo melhor harmonia no conjunto e maior amplitude em sua execução.

O metal prata (que corresponde ao branco) empregado no chefe, e o esmalte blau (azul), no campo do escudo, vem como no escudete superior, evocam as duas cores originais das vestes de Nossa Senhora, a Mãe Santíssima de Deus.

 

Simbologia das peças heráldica do Brasão de Nossa Senhora da Imaculada Conceição

Escudo “samnítico” de blau( azul), carregado de uma flor-de-lis, em abismo, sobrepujando um crescente com as pontas voltadas para cima, ambos de prata. A flor-de-lis (lilium candidum) – símbolo heráldico de pureza, virgindade, castidade, candura… (Rochetti, 450), e o crescente com as pontas voltadas para cima – símbolo heráldico de nobreza e poder (Rasgo Heróico, 148) – ambos em metal prata – são atributos simbólicos de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, Padroeira do Município de Camanducaia.

Nossa Senhora da Imaculada Conceição é sempre representada sobre um crescente com as pontas voltadas para cima, rodeada de anjos.

“Eis a revelação da Bíblia Sagrada, Cap. XII, do Apocalipse: Apareceu, em seguida, um grande sinal no céu, uma senhora revestida do sol, a lua debaixo dos pés, e na cabeça uma coroa de doze estrelas”.

Esta mulher, cheia de graça, concebida sem pecado, bendita entre todas as mulheres, escolhidas por Deus Pai para se a Mãe do Divino Salvador, – é a Virgem Maria, lírio de pureza e candura. A Imaculada Conceição da Santíssima Virgem – é um dogma de fé que passou a vigorar desde 8 de dezembro de 1854. Nossa Senhora foi preservada por Deus Pai, em razão da sua maternidade divina, do pecado original a que todos os homens estão sujeitos, desde a desobediência de Adão.

Maria Santíssima, a Virgem Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, concebida sem pecado original – eis a doutrina, eis o mistério da Imaculada Conceição (lat. Conceptionem), ação de conceber – definido pela Igreja Católica, a qual se baseou nas expressões da Sagrada Escritura e da tradição da Igreja.

Em heráldica, o metal prata é o símbolo de paz, amizade, pureza, inocência, beleza, felicidade, integridade, franqueza, equidade, verdade, formosura… (Guelfi, 51; e Asêncio, 61). E o esmalte blau(azul) é o símbolo de justiça, formosura, doçura, nobreza, perseverança, zelo, lealdade, perfeição, firmeza incorruptível, dignidade, glória, virtde… (Guelfi, 64, Asêncio, 63 e Roonchetti, 126).

O primeiro escudete, à destra, representa o Brasão de Família dos Almeidas e evoca as pessoas desses primeiros moradores da região, verdadeiros pioneiros, os quais trabalharam pela prosperidade do lugar:

  1.      – Cláudio Furquim de Almeida;

- Francisco de Assis Almeida;

- José Caetano de Almeida;

- José Furquim de Almeida.

O segundo escudete, à sinistra, representa o Brasão de Família das Nogueiras, e evoca a pessoa do Tenente Coronel Antonio Felisberto Nogueira que também muito trabalhou, naquela época, ajudando os seus companheiros de aventura, no progresso do povoado que crescia paulatinamente.

 

Simbologia das peças heráldicas do Brasão da Família dos Almeidas

Escudo “samnítico”, de ouro, carregado de seis bilhetas deitadas, de goles (vermelho), dispostas equidistantemente em faixa, duas a duas, formando uma dobre cruz, e carregadas cada uma de um besante de ouro, bordadura também em metal ouro.

BILHETA – (ou bilhete) – do fr. Billet – É uma transferência do latim bulla (bola de cera ou de metal que autenticava os documentos pontifícios) para o francês bille, que significa também bola + sufixo diminutivo ette, pois a forma antiga era billette.

É a peça heráldica, móvel, de forma retangular, que simboliza aa sabedoria, representada por uma pedra do formato acima, para demonstrar sua estabilidade e constância. (Ciprés, 50). Como os antigos costumavam pintar a fortuna sobre uma bola, eles punham a sabedoria sobre uma pedra de formato retangular, querendo assim dar a entender que a fortuna é móvel e inconstante, e a sabedoria é firme, constante e estável.

Quando figurada nos escudos dos brasões de armas, ela tem um significado muito particular, isenção de certos impostos.

A bilheta lembra o direito de passagem em algumas antigas províncias. (Coston, 114)

BESANTE – (ou bezante) – do latim byzantium – é um pequeno círculo de metal- ouro ou prata – e representa simbolicamente as antigas moedas bizantinas, de ouro e de prata por isso são sempre de metal.

Originariamente, os besantes eram moedas que se pregavam no escudo, simbolizando o direito soberano de cunhar moeda. Mais tarde, foram representativos dos altos cargos financeiros do Estado.

O uso dos besantes generalizou-se na França, em Portugal, na Espanha e em outros países que mais contribuíram para as Cruzadas, com alusão ao nome de Bizâncio, que era dado antigamente a Constantinopla (Ferreiora, III, 28) hoje Istambul.

Os besantes foram também usados nos escudos, em memória do resgate que os Cruzados deviam pagar, para comprar sua liberdade.

É sinal de haver estado na Palestina, pois puseram besantes em seus escudos os Cruzados que foram à Terra Santa, e lá derramaram seu sangue em combate. (Guelfi, 98, Asêncio, 48)

DOBRE CRUZ – É a peça peculiar da armaria portuguesa, que talvez se haja formado pelo ajustamento de duas faixetas e uma vergueta, formando cruz de duas travessas, sem estarem, todavia, sobrepostas.

Em heráldica, o metal ouro é símbolo de força, fé, riqueza, autoridade domínio, esplendor… (Guelfi, 396 e 291). É o mais nobre metal do brasão. E o esmalte goles (vermelho) é o símbolo de audácia, valor, galhardia, nobreza conspícua, valentia, magnanimidade intrepidez, honra… (Guelfi, 459 – Asêncio, 62) é a primeira cor do brasão.

Simbologia das peças heráldicas do Brasão de Família dos Nogueiras

Escudo “samnítico”, de ouro, com banda xadrezada de sinopla (verde) e de prata, de cinco ordens, sendo a do meio coberta por um filete de goles ( vermelho).

BANDA – É uma peça heráldica normalmente igual, na sua largura, à terça parte da altura do escudo, e disposta em diagonal, firmando-se nos ângulos à destra do chefe e à sinistra do contrachefe. Representa simbolicamente a Cavalaria ou altos postos da antiga milícia. (Guelfi, 66).

O xadrezado é uma das nobres e antigas figuras da armaria não sendo dado senão a valentes e esforçados guerreiros, por sinal de seu valor e ousadia. ( Asêncio, 45).

É emblema da milícia e modelo de estratégia militar, porque representa convencionalmente um campo de batalha. (Asêncio, 45) – como num jogo de xadrez, em que duas pessoas fazem mover, num tabuleiro, diferentes peças cujo objetivo é a tomada do rei do parceiro contrário e a defesa do seu, Representa o exército em batalha, estando composto de quadros que simbolizam os batalhões e esquadrões. (Baron – Playbe, 256)

Em heráldica, o esmalte sinpla (verde) é o símbolo de honra, cortesia, civilidade, vitória, abundância, campo, posse, esperança. (Guelfi, 576, e Asêncio, 65).

O contra chefe diminuto do escudo, esmalte sinopla (verde) lembra as extensas Campinas, montes e vales que caracterizam a paisagem singular de Camanducaia.

O esmalte verde é a cor heráldica da esperança e simbolizam as plantações verdejantes na primavera, prenunciando copiosa colheita. (Guelfi, 576 e Crollalanza, 336).

O traço do cortado do contra chefe diminuto, em esmalte sable (preto) que representa um campo estilizado, posto em chamas com labaredas muito altas, tudo em sua cor, e a faixa estreita, sinuosa, em metal prata, ondada de blau (azul), que lembra o rio Camanducaia, o qual banha a cidade do mesmo nome – revelam As armas Falantes do Município, cujo topônimo CAMANDUCAIA, de origem indígena, CAMANDÓ-CAIA– significa campo queimado, campo em queimada, fogo posto no campo.

A coroa mural, de cinco torres visíveis, representada em metal prata, com os portões e janelas de sable (preto) é privativa de cidades (não capital).

Os dois suportes representados por um ramo de milho, espigado, à destra, e por um ramo florido de batata (inglesa), à sinistra, ambos em sua cor, lembra as principais culturas agrícolas do Município de Camanducaia, conforme dados oficiais obtidos no último censo estatístico.

No listel, em esmalte blau (azul) é gravado o topônimo CAMANDUCAIA, em metal prata.

Na ponta em flâmula, à destra, a abreviatura “3-5-1842”, em metal prata, indicando a data da instalação do município de Jaguari, com posse de sua primeira Câmara Municipal, e na ponta em flâmula, à sinistra, a abreviatura cronológica “31-3-1892”, nem metal prata, indicando a data da instalação da Comarca de Jaguari, tal como se encontra.

      NOTA: Em 1.930, a cidade retomou o seu primitivo nome de Camanducaia que até hoje conserva.